Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

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Dez 08

O título do novo filme dos irmãos Coen já remete de cara à Kafka. Se Maks Brodt não atendeu ao amigo, publicando por sua conta e risco livros como O Processo - na ordem que melhor lhe parecia - os cineastas também não queimaram. Perguntaram-se à la Bataille: é preciso queimar?

Mexeram nos mesmos temas: incomunicabilidade, paranóia, neurose.

Frances McDormand soberba, como sempre. John Malkovich sendo John Malkovich, as usual; perverso, mesmo que vítima, de alguma maneira. George Clooney muito convincente como marido que trai, trai, trai e finalmente cai do cavalo - aliás, a cena da "apresentação" da máquina na qual ele trabalhava é hilária. Brad Pitt em outro grande momento: bem dirigido e excelente como o boboca feliz. De chorar de rir.

Elenco afiado, argumento aparentemente non sense: voltamos aos clássicos.

Bibliotecas e livros existem para serem queimados, diria Umberto Eco. Informações também, relações idem.

Mentira. É na contra-corrente que as coisas realmente acontecem.

Ah! Já ia esquecendo: Tilda Swinton, a mulher geladeira, nunca mais deixará de ser Orlando enquanto viver: encarna o duro do masculino e aparece mais macho que qualquer um.

O problema é que não sobra ninguém: pedra sobre pedra. Todos os arquivos são queimados, os vivos e os mortos.

Mas, de toda forma, sempre leia antes.

publicado por joanabosak às 22:20
sinto-me: com rinite
música: CIA man
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Sobre a razão da existência dos livros, o detetive Pepe Carvalho ecoa o que diria o Umberto.
Corujo a 12 de Dezembro de 2008 às 10:07

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