Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

03
Fev 09

É impressionante o que a tal crise faz. Mesmo no mundo super restrito da alta-costura é possível perceber os efeitos dos efeitos da dita globalização.

Lagerfeld talvez nunca tenha bebido tanto da fonte Chanel, que passou a I Guerra no início da sua carreira, quando as garçonnes não eram apenas anoréxicas, elas passavam fome mesmo.

Depois de demitir cerca de 200 funcionários, o desfile da Maison em sua última coleção - 27 de janeiro - apresentada em Paris mostrou o que é possível fazer em termos de transcriação na moda - Haroldo que me perdoe, mas eu não resisto...

O Kaiser pegou tudo, tudinho que já estava lá numa economia não de idéias, mas moral: as cores, branco, preto e virgin-white, um bege quase branco e revisitou cardigans, twin-sets, saias e vestidos no joelho, bem ao gosto de Mademoiselle Coco.  E chapéus, muitos, em todas as modelos, só pra lembrar a origem chapeleira da grife. Apenas tirou as famosas pérolas, que mesmo falsas, estão fora do circuito recessão. Afinal, hoje o desfile da nova coleção, mesmo com todo o seu custo, rende dividendos que muitas vezes as próprias roupas não r(v)endem. A manutenção da casa depende de uma manutenção de sua imagem e a Moda como sistema - já diria Barthes - e que é como ela existe hoje, só sobrevive se se re-nova - me empresta, Rê? Ou seja, moda só existe se passar.

Teorias ultra-tudo à parte, assistir ao vídeo dessa coleção de verão foi como entrar num túnel de um tempo que conjuga um estilo já existente com novos materiais, ou seja, hoje. Até canutilho tinha! Muito anos 20...09!

Eu amei, porque sempre adoro o que aparece na passarela Chanel e porque fico muito impressionada com a homengagem que Lagerfeld presta a cada coleção à criadora da casa de que hoje ele é o senhor. E o mais incrível é o efeito sempre distinto que ele consegue imprimir nas peças ainda que partindo, teoricamente, do mesmo que já foi feito de outra maneira.

Não é à toa que o estilista tomou da folha em branco como inspiração: ela aceita tudo, até o velho, transcriado à imagem e semelhança de qualquer época, crise ou estilo que seja.

Começar de novo é sempre re-começar, como diria ReFratton.

publicado por joanabosak às 10:13
sinto-me: com sono
música: Madeleine Peyroux
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