Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

20
Fev 09

Quem tratou Penélope melhor?

Definitivamente, 2008 foi um baita ano pra madrileña, que, graças a Deus, não se tornou Cruise credo! e foi cair nos braços latinos do TUDO Javier.

Voltando à questão: Woody ou Isabel?

María Elena é as tripas e o coração do filme de Woddy Allen, embora, vá lá papá, sobre alguma cosita pra Rebecca Hall e pra Scarlett Johansonn...

Mas ver Consuela, depois de M. Elena, nessa película de Isabel Coixet, é Fatal...

Sabe por quê?

Porque me faz dar uma volta no parafuso em direção a quê?, 1993, 94, Jamón Jamón (agora eu sei que gosto isso tem!), do catalão Bigas Luna, estréia de Penélope, com o já mucho besame macho Javier Bardem de toureiro taradão.

E vejo como a chica cresceu.

Está mais linda que nunca e seu beicinho serve pra muitas cositas más.

Beijar Sir Ben Kingsley - em ótima forma, diga-se de passagem - é só mais um detalhe.

E como se não bastassem todos os filmes de La Coixet serem uma jornada da alma essa jornada é sempre feita com uma sensibilidade que - desculpem-me os convictos - só uma alma feminina é capaz.

E a tecelã  Penélope/Consuela consegue se safar bem e deixar a gente apatetado, apalermado, extasiado e completamente esborrachado no chão com as revelações que faz a um David Keppesh que tem seu mundo revirado do avesso e que passa, ele sim, a dar voltas e mais voltas em mil parafusos nas pequenas verdades e idiotissincrasias que bolou pra não se apaixonar.

E no meio de tudo isso o que o Velho percebe?

Que as pessoas não são descartáveis, meu senhor, e que elas grudam na gente, com suas partes boas e ruins igualmente e isso é uma (minha) verdade absurda.

E aí meu velho e bom Bê me diz do alto da sua filosofia da vida cotidiana: todas as mulheres são loucas e todos os homens são bobos e María Elena torna isso concreto e David Keppesh resplandesce de bobeira - que, na verdade, é medo.

E tudo isso era só pra dizer que eu virei fã da Penélope nos últimos meses, mas sem querer me desviei e fui refletir, porque afinal, é pra isso que servem os filmes e a vida.

E tudo isso só me faz amar mais as pessoas que eu já tenho.

publicado por joanabosak às 20:45
sinto-me: proud to be happy
música: ainda nosso Bas-fond
tags:

Como diriam as fashionistas de plantão, há um perfume gaucho que continua no ar...

Desde Roberto Cavalli, na coleção outono/inverno 2007/2008, com seus ponchos, chapéus, botas, bombachas meio jadhpour, muito luxo do gaúcho; já havia uma utilização glamourosa dessa indumentária hoje tão ligada, no Rio Grande do Sul, a algo que não é, de maneira alguma, ser gaúcho: o Movimento Tradicionalista.

A Maison Dior, ainda am 2007, também lançou uma linha de marroquinerie  com o label Gaucho (algo que os franceses deviam pronunciar goochô), com bolsas em forma de sela, estribos como fivelas, botas, enfim, toda uma sorte de elementos bem emblemáticos.

E se a revista Vogue - edição brasileira - de janeiro de 2008 só conseguiu ver nas franjas o estilo cowboy americano, problema deles, que estão precisando conhecer uma cultura bem mais próxima mas muito mais distante do mundinho fashion.

Na seqüência, SPFW inverno 2009, com Tufi Duek, que eu já havia mencionado. Patti Smith de trilha, Horses e mais horses, noites brilhantes do sul: uma plêiade de estrelas nas passarelas, ostentando ombros só em ponchos ressemantizados. Bombachas da luxo com paetês negros e cintos novamente lembrando as velhas guaiacas platinas. Tudo com muita elegância, nada a dever a uma suposta guasquidão a que o gaúcho do RS remete. É gaúcho bem comercial lido pela lente paulista, mas isso não é pra ser crítica - a coleção é linda e coleção é sempre leitura e releitura de alguma coisa - nem que seja a tradução do próprio estilista a algo que ele idea-lizou.

Quando tudo parecia já adormecido e eu já havia montado o programa de um curso sobre moda com o tal perfume - O pampa na passarela - eis que a antenadíssima Ana Carolina Acom, corpomenteespírito do modamanifesto.com me vem com imagens recém saídas do forno da semana de NY, com a coleção de Tommy Hilfiger: botas, chapéus, semi-ponchos, cintos com os tais estribos...

Lá vem o gaúcho de novo, com tudo.

Além de Borges com seus orilleros, de Güiraldes com suas sombras, de Barbosa Lessa com seus guaxos, de Cyro Martins com seus peatones, de Aldyr Schlee com um sul que ainda existe dentro de nós e na sua escrita perfeita - aí chega toda essa parafernália em torno de um conceito. E o que temos agora, já que Caringi, Jungbluth, Blanes, Vasco Prado, Xico Stockinger e outros nossos já nos retrataram de todas as maneiras mais ou menos lidas e relidas?

O que nos toca? Onde chegamos? Qual o horizonte sem fim das planícies sureñas?

Para onde foi o nosso andarilho?

Cetegistas que não me leiam, mas fomos parar na passarela e na mente de almas que compõem com pedaços de tecidos histórias que nos contam as roupas.

E hoje a história que me contaram me trouxe de volta prum mundo telúrico com cheiro de terra e gosto de mate, ainda que eu tenha de tomá-lo cavalgando no Central Park para depois apear e tomar um café no Starbucks e à noite assistir a mim mesma numa passarela mundialmente televisionada no umbigo do mundo.

Fundamentalismos - que nada - à parte, hoje, uma vez mais, vuelvo al sur, como se vuelve siempre al amor, porque, como diria Don Segundo, iremos com nossa alma por delante, como madriña de tropilla.

.

publicado por joanabosak às 17:47
sinto-me: gaucha
música: Bajofondo
tags:

19
Fev 09

Não resisti ao último post de minha amiga ReFratton em seu blog, sobre Carla Bruni.

Como eu estudei recentemente a vida de duas princesas para conferências no StudioClio e um curso de extensão no UniRitter, não houve como não me reportar a elas depois de ler o post da Renata.

É, a vida de princesa mudou.

Fico muito fula quando leio histórias de princesas pra minha pequena, pois elas são sempre adormecidas, esquecidas, esperam, são beijadas... Enfim, nada melhor do que a paródia que aparece em Shrek Terceiro pra mostrar como as princesas, em geral, são umas abobadas.

Críticas à parte, dei-me conta mesmo - com a ajudinha da Rê - de como as princesas mudernas podem ser um pouco mais independentes e donas dos seus lindos narizes invariavelmente arrebitados.

Por exemplo: de Grace a Carla.

Pobre da Grace, ela era uma graça, mais, ela era linda. Mas deu o azar de ser filha do Jack, um cara durão, que mantinha até a geladeira cadeada. A mãe preferiu vender detalhes do noivado com Rainier a uma Caras da vida a dar colo pruma filha que precisava dele - e muito.

Depois de brigar com toda a família para ser atriz e modelo e poder pagar suas próprias contas em NY, essa filha dourada de uma Philadelphia - adoro a grafia arcaica, lembra-me minha bisa, que adorava soletrar seu nome - aristocrática enriqueceu, ganhou o Oscar de melhor atriz em anos de Audrey Hepburn e fubangueou com William Holden, Clark Gable, Frank Sinatra, Oleg Cassini, entre MUITOS outros de que eu não ouso lembrar. Entre os pretendentes, casados, divorciados, bebuns, judeus (oh!) e até o velho Hitch, que a idolatrava mas parece que nunca levou . Até onde eu sei, Grace só não namorou afro-descendentes - ai!

Pra loucura de papai Kelly, o típico self made man americano, filho de irlandês duro que enriqueceu por conta própria, que de trabalhador da indústria têxtil chegou a campeão olímpico de remo e candidato a prefeito. Quando Grace nasceu o cara já havia construído uma "casa" de 17 quartos no subúrbio da cidade.

Mesmo com uma trajetória aparentemente dourada, a vida da princesa não foi nenhum conto de fadas.

Ser Princesa de Mônaco exigiu comer muito brioche azedo. Rainier não era flor e precisava mesmo era de um útero - Grace foi revirada do avesso antes do casamento para se ter certeza de que era fértil - para não perder o Principado para a França.

Daí em diante, foi ladeira abaixo - ainda que com uma vista linda, da Côte d'azur...

Grace morreu ainda jovem, em um acidente de carro.

Seu legado é uma obra humanitária razoável, o primeiro casamento televisionado da história - ela pagou a multa com seu estúdio trocando os direitos de filmagens pelos anos que ainda faltavam de contrato - e uma aura de deusa do cinema.

A exposição que foi feita no ano passado em Mônaco e que migrou para Paris - Les Anées Grace Kelly - resultam num livro lindo, maravilhoso, que eu tive a sorte de ganhar do papai.

 

Já Carla Bruni, nossa princesa muderna, é outra história.

De cor de rosa, só o tailleur Chanel que ela usava acompanhando Sarko.

Carla faz o que quer e não parece estar muito aí para o politicamente correto.

Ao contrário de Grace, não precisou de um pai pra provar alguma coisa - descobriu que tinha dois...

E foi ser modelo e cantar na língua que melhor lhe aprouvesse.

E o melhor de tudo: assume seu lado "devoradora de homens", coisa que Grace sempre teve de ocultar, pois esta princesa virou ícone de elegância gelada numa época ainda muito puritana.

A grande diferença entre elas, além de algumas décadas?

O pequeno detalhe de Carla ser EUROPÉIA e provavelmente ter tido uma família menos rígida, com direito a alçar todos os vôos que uma herdeira aristocrática tem direito a.

Entre Mônaco e Paris ainda sou iluminista.

Vive la différance! Vive la France!

 

 

publicado por joanabosak às 14:25
sinto-me: rainha!
música: caminhão de bombeiro

17
Fev 09

Há tempos eu conhecia o livro de Mercé Rodoreda.

Há tempos também eu sabia o que disse García Márquez - morador ilustre de uma Barcelona franquista, ver Seis Contos Peregrinos -  sobre Mercé Rodoreda e a respeito desse livro filho do exílio, publicado em 1962.

E quando vemos a fotinho na orelha do livro, de uma Mercé velhinha, com um sorriso que extravasa a folha jamais poderíamos imaginar a força narrativa de que ela foi capaz de criar e tirar de dentro de si.

Ainda mais ela, que poderia ter sido Colometa, a Natália de Gràcia, que conhece Quimet na Plaça del Diamant, abandona Pere para casar-se com ele, tem seus filhinhos e os pombos que lhe devoram a vida ao mesmo tempo que a Guerra sangra uma Espanha dividida desde sempre.

Pra quem já estudou a Guerra Civil fica fácil contextualizar, pra quem nunca ouviu falar, vale a pena ir mais a fundo. Meu mestre Enrique Serra Padrós, filho de catalão republicano emigrado ao Uruguai, iniciou-me nesse mundo nefasto e apaixonante chamado Guerra Civil Espanhola, ou o Grande Ensaio Geral, se preferirem, para a II Guerra.

Dessa guerra sangrenta e terrível, descrita por Andre Malraux em A Esperança - para alguma coisa as desditas servem nesta vida -  talvez nos reste a melhor imagem que ela produziu: Guernica, o quadro gigante e gigantesco de Picasso - lembro da gravura em metal que havia na casa de meus pais, em dimensões menores mas igualmente marcante.

Picasso, que na exposição universal de 1938, em Paris, onde já vivia há quase trinta anos, responde ao mandatário alemão se era o autor da obra:

- Não fui eu que fiz. Foram vocês.

Pausa para refletir.

Quem lê A Praça do Diamante se assombra com a poética e com o fluxo de idéias, de consciências de Colometa, tida por ingênua, mas na verdade uma moça pega de surpresa, em meio ao turbilhão insano e desesperador da guerra.

Apesar de tudo, a vida continua sempre e Colometa segue na sua busca intermitente por uma vida melhor para si e seus filhos e é no momento de maior desespero - a cena da garrafa deixada no balcão após a catarse é um soco no estômago, uma facada no fígado - que a esperança ressurge.

Colometa volta a ser Natália e Gràcia volta a ter graça.

Não há mal que sempre dure.

Valeu a pena virar a noite em busca de uma estória que é, também, história.

 

publicado por joanabosak às 14:27
sinto-me: viva
música: Cucuru Paloma
tags:

Nem deu pra acabar bem o post Coraline e já fui assistir ao filme de novo.

Mas esse post já passou e fiquei devendo Tango, outro do mestre Saura, que ele esteja no meio de muita dança, onde estiver.

Começa detonando: uma panorâmica da Capital Federal: esse pedaço de Europa latino-americana que é Buenos Aires. Cidade que eu amo e quero voltar sempre que puder.

O filme - menos documentário e mais filme que Ibéria, assunto anterior deste blog - mescla tango, claro, à reflexão sobre a política e a história recente argentinas.

Os bailes são lindos, alguma música ao vivo e bailarinos incríveis. Até un tío que é possível assistir na Esquina Carlos Gardel, Julio Bocca.

No meio disso tudo, como não poderia deixar de ser, um - ou até mais - triângulo(s) amoroso(s).

Na contracorrente, Mario - Miguel Angel Sola, de Sur - é o artista-diretor do espetáculo, recém acidentado, manco, rejeitado pela mulher, que se divide entre a direção do espetáculo e seus delírios de amor e dor de cotovelo. Para varrer Laura da memória, Mario descobre Elena, amante de um dos capos da cidade e patrocinador do show.

Contra todas as possibilidades de sucesso, Mario monta um espetáculo pouco palatável para muitos e vive o amor com una chica de 23.

Tango é puro amor em vermelho. Disputa, sensualidade, com direito às adagas das brigas de pulperias tão platinas. É o Mar Dulce menos dulce e mais traiçoeiro. É o recomeço de todos os dias, com as fraturas internas e externas de cada um.

Em tempos de reinvenção do tango vale a pena rever Saura.

publicado por joanabosak às 01:04
sinto-me: cansada
música: tv ligada

14
Fev 09

, A praça do Diamante e Tango.

O que esses três títulos têm em comum?

Quase nada. Só o(l)fato de que foram minhas companhias literárias dos últimos dias.

E aí tu me perguntas: literárias?

E eu respondo: sim!

Coraline é o último mergulho que dei em filmes supostamente infanto-junvenis. Não foi surpresa: eu já sabia que seria ótimo. Uma sensação de estar enganando alguém: o filme não era feito pra criança, era feito pra mim. Até os cabelos chanel e o figurino - maravilhoso!!!!! - da Outra Mãe: bem Almodóvar, preto e vermelho como Jô amo. Até o sapato era vermelho. Meu reino pelo figurino da Outra Mãe.

Uma visão da infância sem moralzinha de cueca, personagens cruéis e verdadeiros: loucura e dolceza nos seres mais inusitados. Os vizinhos loucos - todos artistas, tirando Walby - todos maravilhosos na sua falta de lucidez aparente. Um pouco de Lewis Carroll mais sombrio, com direito a gato falante e tudo.

Era muita coisa prum post só.

Já volto pra falar mais.

publicado por joanabosak às 08:19
sinto-me: acordada
música: poucos carros na rua
tags:

07
Fev 09

Assim é fácil ser girl: tô com O Segundo sexo do meu lado, ouvindo Madonna. Lips as sweet as candy. Um pouco de espumante da serra gaúcha ajuda.

Ter genitores como os meus também.

E projetos que te exigem ficar com a cabeça spinning também.

Mas se a gente tem uma mãe top de linha que te dá um Francesca Giobbi, ainda que um número menor, fica-se uma girl beem feliz.

Momento sex and the xity. Relax.

Waiting for my eternal sunshine. Meu eterno retorno tem nome e é, absolutely, a girl. Esse nome vem de Tróia e ela é a mulher mais linda do mundo.

E o único substitute for love que existe é o trabalho estimulante + champagne -  agora me nego a seguir a DOC e digo champagne mesmo.

Should I wait for you?

Vamos sempre esperando. E assim vivendo: o próximo semestre, a próxima aula, a próxima taça, o próximo sapato apertado. A próxima proposta indecente.

A vida é uma proposta indecente.

Já tive meus tempos de Demi Moore. E agora tenho de Luciana Avelino da Silva, if you know what I mint.

publicado por joanabosak às 00:03
sinto-me: bem
música: Music

04
Fev 09

 

Mucho. Esse foi o tema principal da minha trilha sonora barcelonin.

Aonde quer que eu fosse - beira da praia, Plaça de Catalunya, metrô, em frente ao Corte Inglês - havia noivos búlgaros, romenos, latinos ou outros artistas, em geral imigrantes ilegais dando a sua versão do clássico – escrito pela “debutante" Consuelo Vázquez, uma mexicana, inspirada pela ópera de Enrique Granados, em 1940.

Nada de novo no front, Besame é a música em língua espanhola mais gravada e vertida da história, até os Beatles gravaram, em 1962. Sem falar em Piaf, Diana Krall, Frank Sinatra e João Gilberto, só pra dar uma idéia.

Eu fico com a versão de Michel Camilo – no jazz piano – e Tomatito – na guitarra flamenca – em seu ótimo disco Spain.

Mas Besame Mucho é só pré-texto pra eu me lembrar de minha mãe, cinéfila de toda vida, de películas antigas e mudernas, e de uma de minhas lembranças mais remotas nesse campo.

Lembro-me de, muito guria, ainda ouvir falar em Sarita Montiel e seu filme icônico, La Violetera. (É, a marca de azeite se inspirou nela mesmo.)

Chegando à Espanha eis que encontro em todas as bancas de revistas e em todos os canais de televisão uma onipresente Sarita, já bisabuela – ela nasceu em 1928 – mas ainda muito diva.

E dia desses, olhando uma lata do dito azeite, encontro uma violetera meio cigana, é claro, porque a imagem “cola” na de Carmen, essa mulher maldita e indomável, por quem Bizet, Saura e Antonio Gades se apaixonaram, além de Maria Callas. E a violetera da lata do azeite além de linda e sexy, colhe violetas com uma mão enquanto toca castanhola com a outra!

Pausa para momento antropológico: vi a metáfora da mulher muderna ideal. Linda, sexy, talentosa, que colhe e dá flores, enquanto dança e seduz. Longe do feminismo, tô mais pra femenina, mas a idéia me ocorreu. Que polvo que nada, quero ser uma violenta violetera.

Daí que voltando pra Sarita, diva pouco conhecida no Brasil, penso sempre em fazer alguma coisa com ela, nem que seja pras tias que sabem quem ela é.

Minha mãe, como cult do kitsch tem até as memórias dela, cafona – ao menos no título – até a última gota de azeite: Vivir es un placer. Que tal?

Tem que ter muita coragem pra poder escrever umas memórias e dar um título desses...

Mas o melhor ainda foi descobrir a conversão do clássico musical numa orelha do livro:

BESAME MACHO, de autoria do jornalista que acompanhou Sarita nas suas memórias, Pedro Manuel Villora.

Ganhei o dia – e o motivo pro post.

Trocadalhos à parte, não quero mais apenas besame mucho, quero mucho besame macho.

 

publicado por joanabosak às 22:27
sinto-me: violenta
música: Guess
tags:

03
Fev 09

É impressionante o que a tal crise faz. Mesmo no mundo super restrito da alta-costura é possível perceber os efeitos dos efeitos da dita globalização.

Lagerfeld talvez nunca tenha bebido tanto da fonte Chanel, que passou a I Guerra no início da sua carreira, quando as garçonnes não eram apenas anoréxicas, elas passavam fome mesmo.

Depois de demitir cerca de 200 funcionários, o desfile da Maison em sua última coleção - 27 de janeiro - apresentada em Paris mostrou o que é possível fazer em termos de transcriação na moda - Haroldo que me perdoe, mas eu não resisto...

O Kaiser pegou tudo, tudinho que já estava lá numa economia não de idéias, mas moral: as cores, branco, preto e virgin-white, um bege quase branco e revisitou cardigans, twin-sets, saias e vestidos no joelho, bem ao gosto de Mademoiselle Coco.  E chapéus, muitos, em todas as modelos, só pra lembrar a origem chapeleira da grife. Apenas tirou as famosas pérolas, que mesmo falsas, estão fora do circuito recessão. Afinal, hoje o desfile da nova coleção, mesmo com todo o seu custo, rende dividendos que muitas vezes as próprias roupas não r(v)endem. A manutenção da casa depende de uma manutenção de sua imagem e a Moda como sistema - já diria Barthes - e que é como ela existe hoje, só sobrevive se se re-nova - me empresta, Rê? Ou seja, moda só existe se passar.

Teorias ultra-tudo à parte, assistir ao vídeo dessa coleção de verão foi como entrar num túnel de um tempo que conjuga um estilo já existente com novos materiais, ou seja, hoje. Até canutilho tinha! Muito anos 20...09!

Eu amei, porque sempre adoro o que aparece na passarela Chanel e porque fico muito impressionada com a homengagem que Lagerfeld presta a cada coleção à criadora da casa de que hoje ele é o senhor. E o mais incrível é o efeito sempre distinto que ele consegue imprimir nas peças ainda que partindo, teoricamente, do mesmo que já foi feito de outra maneira.

Não é à toa que o estilista tomou da folha em branco como inspiração: ela aceita tudo, até o velho, transcriado à imagem e semelhança de qualquer época, crise ou estilo que seja.

Começar de novo é sempre re-começar, como diria ReFratton.

publicado por joanabosak às 10:13
sinto-me: com sono
música: Madeleine Peyroux
tags:

01
Fev 09

e a Moda como obra de arte total.

Esse é o título de um almoço cultural em que palestrei no StudioClio no ano passado. Foi uma das atividades que mais gostei de fazer por lá.

Parti do livro Klimt e a Moda, da coleção Universos da Moda, da Cosac Naify, que a minha amiga Re Fratton me emprestou.

Cheguei à Viena da Belle Époque e à obra magnífica de Karl Schorske: Viena Fin de Siècle, um livro imprescindível e que infelizmente está esgotadíssimo!

Além de Klimt e de Emilie Flöge - sua namorada, amante, musa, dona da boutique Flöge Soeurs, que trazia de Paris as últimas novidades em roupas e acessórios -, encontrei um universo paralelo; afinal Viena, na virada do século XIX para o XX era uma espécie de Paris germânica com toda as suas belezas, particularidades e a imponência de uma cidade ainda em construção que era sede de um dos grandes impérios da época. Além de Sissy, Viena continuou na sua jornada de cidade cosmopolita, cheia de cafés, de ópera, museus e um grande incentivo às artes.

Nesse universo paralelo conviviam a Secessão Vienense, grupo de artistas gráficos, arquitetos, escultores da art nouveau de lá, do qual Klimt fazia parte e era mentor.

Além da Secessão, nesse panorama infinito que fui descobrindo para falar de Klimt e das roupas que ele e Emilie confeccionaram e retrataram, encontrei no meu caminho "apenas" com a filosofia de Wittgenstein, contemporâneo deles, para quem a linguagem está no cerne da formação do pensamento humano; encontrei com Musil, que escreveu um romance gigantesco, difícil e que dá a tônica da época: O Homem sem qualidades.

Mas indo mais além ainda, encontrei um livro maravilhoso, de Celia Bertin; As mulheres em Viena no tempo de Freud. Uma mulher fantástica entra em cena: Lou Salomé, a primeira psicanalista, amiga/discípula de Freud. Uau!

Resultado rápido e rasteiro: Emilie, que está lá, entre as mulheres que Celia encontrou nos tempos de Freud, é uma das que justamente não precisaram de Freud. Não era uma de suas histéricas. Por quê?

Porque além de, logicamente, ser bem nascida, teve liberdade suficiente para trabalhar e criar. Teve sua loja, criou modelos antes inspirados em Poiret e depois em Chanel, mas principalmente viveu a vida plenamente entre um grupo de pessoas criativas e livres.

É claro que Klimt tem um grande papel nisso: ele dividiu com Emilie boa parte de sua veia criativa e aí ele e a musa criaram uma série de vestidos longos e soltos que em nada se assemelhavam ao padrão mulher-ampulheta de época. (Essa criação conjunta foi toda documentada por Klimt e por isso ele pode ser considerado um precursor da fotografia de moda, ainda incipiente. Se buscarmos as revistas Vogue dos anos 1920 ainda veremos ilustrações e não fotos, as fotos feitas por Klimt são da primeira década do século.)

Livres do espartilho, Emilie e as mulheres retratadas por Klimt se transformaram naquelas que não precisaram de Freud.

A moda, então, foi para Klimt a obra total: quando pintava, Klimt criava modelos, estampava, vestia de ouro e cores as mulheres que amava e que possibilitaram que ele continuasse sendo o grande artista que era, principalmente depois do encândalo causado por seus murais em prédios públicos - a faculdade de medicina, principalmente - em que retratava todas as etapas da vida, com suas vicissitudes e corpos em constante transformação.

Esse sim foi um homem que amou as mulheres.

publicado por joanabosak às 13:45
sinto-me: voltando
música: de fundo
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