Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

30
Jan 09

de quem faz Moda e Literatura Comparada:

 

"Cada inovação parece a perversão de uma primeira perfeição." Auguste Escoffier,1898

 

Essa máxima está entre as epígrafes do livro de Manfred Weber-Lamberdière sobre Ferrán Adrià, o cheff-artista número um do mundo, que já esteve "exposto" até na Documenta de Kassel, em 2007.

Adrià continua:

"Estamos à procura do novo, do inusitado. O resto não nos interessa." (1994)

Pois é nessa base o jornalista alemão vai nos mostrando que hoje as fronteiras entre arte e não-arte estão cada vez mais diluídas. (As pessoas também podem ser diluídas, e disso Andy já sabia bem).

Molhos à parte, o autor faz pensar o que é verdadeiramente arte hoje. Assim como o conceito de luxo, também hoje revestido de novas características, muito mais próximas do conforto, do "ter mais tempo", do que da ostentação de outrora.

O tempo, nosso sexto sentido, também é sempre levado em conta. O passado não conta mais, ele só serve como alavanca do que virá.

Até que ocorre o encontro, promovido pelo autor, entre Alain Ducasse - antes número um da cozinha - e Karl Lagerfeld - o kaiser da Moda.

Lipovetsky é, sem ser nomeado, citado por Monsieur Chanel. O império do efêmero é o que vigora, uma espécie de lei da espécie.

"Mas eu amo o efêmero. Somente o efêmero sobrevive. Do contrário, seria 'rotina' e, nesse caso, deveríamos encerrar as atividades. A perfeição é enganosa. Quando algo está perfeito, temos que inventar alguma coisa, a perfeição não pode durar para sempre. Temos que evitar nos confrontar com a própria perfeição, nos distanciar do sucesso e do questionamento que nasce com ele. Não podemos estar certos de nada que conseguimos. Esse tipo de segurança é perigoso. Nunca olho para trás, o passado não me interessa."

Santa imperfeição nossa de cada dia - é ela que nos move.

Tudo por essa incerteza tão certa, luxuosa e volúvel. Tudo ao mesmo tempo agora no único tempo que existe: este.

publicado por joanabosak às 06:18
sinto-me: insone
música: a de sempre

23
Jan 09

Todos dormem na casa. Não estou sozinha. A casa está tomada. Mas não são Outros. São uma pequena Babel que já um pouco eu mesma. Olho em volta e amores antigos e recentes me acompanham. São meus livros, reescritos cada vez um pouquinho sempre que os leio. E, já que não tenho uma biblioteca digna de bibliófilos como Manguel (40 mil volumes) e Eco (30 mil numa casa e 20 noutra), não há problema em olhar pra todos eles quase ao mesmo tempo, embora seus conteúdos evoquem o perfeito de que fala Galeano sobre as coisas belas: Me ajuda a olhar!

(E ocorreu um ato falho incrível: escrevi Galiano, e realmente para ver John Galiano é preciso ter muitos olhos)

Digeridos, assimilidados, triturados. Minha antropofagia é contínua. E se essa alimentação nem sempre é possível, às vezes me contento em olhar pra eles, suas capas que indicam uma personalidade interior - eu diria, então, que a capa é a roupa do livro, desnudado impudicamente a cada leitura.

E eu gosto de acreditar no que fala o muso, ou melhor, o museu Umberto Eco, que alguns livros, de tanto a gente olhar, acabam sendo lidos mesmo que não lidos. O valor da biblioteca não lida também existe, porque essa não leitura combina com uma leitura interior que fazemos daquilo que por ventura aquele livro poderia dizer e que na verdade não sabemos se de fato procede, mas que muitas vezes nos antecede a nossa leitura. E esta é minha babel particular, confortável por ser confusa.

Mas esta talvez seja uma viagem border collie demais.

Volto pros nomes próprios mais próximos de mim: Orlando, Eugenia, Loana, Sandra, Seda, Netto, Isabel, Barcelona, Gumercindo, Rosa.

Definitivamente estou bem acompanhada. Eu e Jô.

Mesmo que apenas pelo nome.

Afinal, o que resta é sempre o nome. A palavra.

A rosa que é uma rosa é uma rosa é uma rosa de Madame Stein, aqui está porque seu nome está.

O Nome da Rosa. Embora com Angenor e Marisa a rosa sempre possa permanecer ainda mais com seu profundo olor, preferida pelo beija flor...

publicado por joanabosak às 02:33
sinto-me: ligada, ainda
música: computador ligado
tags:

19
Jan 09

Se os museus fossem, como quer a definição grega, o lugar das musas, hoje faço a homenagem a duas musas que acabo de assistir da tela que não via e que agora se faz indispensável - em tempos de Fashion Weeks.

Minhas "musas" de hoje são: Ronaldo Fraga, estilista mineiro, que colocou velhos - não vou falar "idosos" - e crianças na passarela brincando e rindo com as pelancas e as ancas das pessoas comuns, que embora não possam vestir suas roupas sempre, nos fazem lembrar que a moda antes de ser Moda é indumento, como diria Daniela Calanca, autora do excelente História Social da Moda, recém-saído pela editora Senac SP - e o paulista Tufi Duek, da Forum.

Ronaldo é o artista-artesão da moda brasileira, que sempre conta histórias e estórias independentemente de tendências. Brinca com tecidos, materiais, formas, gostos e coloca tudo no bom-humor que ele sempre apresenta revestido por mãos hábeis de artesãs muitas vezes ribeirinhas do Velho Chico.

Mas hoje, o meu amor declarado vai pro Tufi Duek, da Forum, que mexeu fundo comigo e trouxe o gaúcho pra cena da moda contemporânea brasileira como eu ainda não havia visto. Uma coleção de tirar o fôlego, a mais linda que vi nos últimos tempos, inspirada, usável e chique pra mais de metro - como guaxa-gaúcha, não consigo me conter...

Amei ver ponchos de ombro só reconstruídos e bombachas tão pouco prováveis. No meio de peças óbvias desconstruídas e relidas, peças ainda mais surpeendentes, elegantes e algo entre o moderno e o totalmente clássico. Tufi, hoje, nasceu clássico.

Nunca vi tanto luxo do gaúcho!!!

E eu ficando cada vez mais fashion, de alguma maneira imponderável e quase impossível.

Esta não foi a educação que a senhora me deu, dona Helga!

Ainda bem!

publicado por joanabosak às 23:14
sinto-me: esperançosa
música: Helena
tags:

14
Jan 09

quando se é borderline?

Mexplico: ainda não sei se de fato padeço de alguma enfermidade mental. Já tomei antideprê e não desbundei, portanto não devo ser bipolar...

Sou border porque fronteiriça.

Fronteiriça do Prata, entre gaúcha, gaucha e guacha.

Às vezes me sinto mais guaxa que tudo.

Guaxa por querer estudar tanta coisa e já me saber órfã desde o princípio...

É impossível, senhor Bloom, saber onde está a sabedoria. Neste mundinho-ão pós-quase-tudo é muita pretensão pensar que os sábios podem ser reunidos em qualquer tipo de estudo. Tanto mais os sábios periféricos. (Apesar de hoje essa palavra ser muito feia, somos todos híbridos, multiculturais etc).

E quando penso em sábio periférico talvez fosse melhor falar em peri-feérico. Nossos sábios sabem muito mais e são de sonho, meio fadas meio magos. E quando penso neles, me refiro logo a Arthur Bispo do Rosário, Gentileza, Ariano, Nise da Silveira, Mãe Menininha do Gantois, loucos e santos todos um pouco.

Já sei minha nova alcunha, ou meu novo blogue: peri-feérica. Gostei.

Assim como O'Brahma Black.

Pois é, quando começo não sei mais parar e quando vejo misturo Virginia Woolf com moda e gaúchos e pampas e passarelas e Chanel e Frida Kahlo e Isabel Allende e Oscar Wilde.

Totalmente border.

"Yo no sé donde soy

mi casa está en la frontera".

Parodiando Jorge Drexler, não sei em que território estou. Sou a fronteira?

Talvez eu esteja mais pra border collie.

Ainda vou descobrir.

Ou não.

publicado por joanabosak às 22:24
sinto-me: Stella Artois
música: tv ligada
tags:

13
Jan 09

é tudo de bão.

Vale muuuito mais que uma rima. Vale um rimão.

E todo amor que houver nesta vida e no meu coração.

Meu irmão é um anjo de verdade, que vive longe mas sempre perto de mim.

Meu irmão é um doce e uma revelação que ainda não se sabe.

O dia que se revelar não sei onde pode parar.

Meu irmão é todo ele feito de amor e de paixão.

Mil beijos pro meu primeiro grande amor incondicional.

PS: pai e mãe não vale, tá?

publicado por joanabosak às 19:02
sinto-me: ainda
música: carros
tags:

ainda a marca máxima de nossa brasilidade/tropicalidade, jeitinhos, malandragens e afins.

É, o Rio de Janeiro continua lindo e as pessoas de lá também.

E apesar de uns dias um pouco cinzentos e chuvosos demais o sol apareceu, a praia estava ótima e O brownie voltou com tudo, capitaneado pela cozinha turbinada da Pri e da Elza.

Amigos, saberes, valores e quereres. Tudo muito junto, próximo, aprochegado. Até mami estava lá!

E tinha gente, gente, gente, muita gente. De todo jeito: raça, cor, tamanho, sexo... Hum... Muitos sexos... 

Mas sabe o que mais tem no Rio hoje? Temaquerias. Temakeria que nem McDonald's. Com a vantagem que temaki é bom, né?

Mas também uma sorveteria na Maria Quitéria chamada Brasil, que tem um sorvete de manga com gengibre que é um desaforo ter que voltar pra casa sem ele.

E apesar do Obama ser onipresente, faltou Brahma Black, no Barril 1800, no Belmonte. A culpa é da branquela da Duda, mas isso ela já sabe. Aliás, menina corajosa essa. Atravessa a avenida Brasil às três da manhã - às vezes - para garantir a Bohemia nossa de cada dia.

O que valeu de consumismo: Farm e Fábula - a Farm para pequenos. Desesperador de tão lindo - dá vontade de morar na loja.

Ah, e sobre o shopping Leblon, que eu já conhecia: é um ponto turístico obrigatório, com uma praça de alimentação praticamente dentro da Lagoa. Uma loucura!!!

Um beijão pra quem ficou e pra quem veio também.

O Rio é um des-va-RIO!

publicado por joanabosak às 18:35
sinto-me: amarelo Farm
música: da rua da Rê
tags:

02
Jan 09

All that Jazz! Or Jess, minha mais fiel leitora e comentadora, after Corujo.

Espero que em 2009 nossa safra de girassóis e de trocadalhos continue de vento em popa, independentemente das marés serem de Lago ou de Mar, and you know what I mint, cute Klimt. Aqui, lá e em qualquer lugar estarei pronta pra trocar humor, carinho e calor com quem me toca e a mim me toca, também, esta troca de afetos, de troca-d-alhos e de carilhos, digo, carinhos, ops. I did it again. But I expect not be so plain, in vain...

A lot of kisses and cookies and cream, with mint, Klimt and a portion of DREAM!

By all means...

PS: é sempre a mesma coisa? Tás de eterno retorno, little Nietzsche?

 

publicado por joanabosak às 14:59
sinto-me: começar de novo
música: crianças brincando
tags:

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