Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

04
Fev 09

 

Mucho. Esse foi o tema principal da minha trilha sonora barcelonin.

Aonde quer que eu fosse - beira da praia, Plaça de Catalunya, metrô, em frente ao Corte Inglês - havia noivos búlgaros, romenos, latinos ou outros artistas, em geral imigrantes ilegais dando a sua versão do clássico – escrito pela “debutante" Consuelo Vázquez, uma mexicana, inspirada pela ópera de Enrique Granados, em 1940.

Nada de novo no front, Besame é a música em língua espanhola mais gravada e vertida da história, até os Beatles gravaram, em 1962. Sem falar em Piaf, Diana Krall, Frank Sinatra e João Gilberto, só pra dar uma idéia.

Eu fico com a versão de Michel Camilo – no jazz piano – e Tomatito – na guitarra flamenca – em seu ótimo disco Spain.

Mas Besame Mucho é só pré-texto pra eu me lembrar de minha mãe, cinéfila de toda vida, de películas antigas e mudernas, e de uma de minhas lembranças mais remotas nesse campo.

Lembro-me de, muito guria, ainda ouvir falar em Sarita Montiel e seu filme icônico, La Violetera. (É, a marca de azeite se inspirou nela mesmo.)

Chegando à Espanha eis que encontro em todas as bancas de revistas e em todos os canais de televisão uma onipresente Sarita, já bisabuela – ela nasceu em 1928 – mas ainda muito diva.

E dia desses, olhando uma lata do dito azeite, encontro uma violetera meio cigana, é claro, porque a imagem “cola” na de Carmen, essa mulher maldita e indomável, por quem Bizet, Saura e Antonio Gades se apaixonaram, além de Maria Callas. E a violetera da lata do azeite além de linda e sexy, colhe violetas com uma mão enquanto toca castanhola com a outra!

Pausa para momento antropológico: vi a metáfora da mulher muderna ideal. Linda, sexy, talentosa, que colhe e dá flores, enquanto dança e seduz. Longe do feminismo, tô mais pra femenina, mas a idéia me ocorreu. Que polvo que nada, quero ser uma violenta violetera.

Daí que voltando pra Sarita, diva pouco conhecida no Brasil, penso sempre em fazer alguma coisa com ela, nem que seja pras tias que sabem quem ela é.

Minha mãe, como cult do kitsch tem até as memórias dela, cafona – ao menos no título – até a última gota de azeite: Vivir es un placer. Que tal?

Tem que ter muita coragem pra poder escrever umas memórias e dar um título desses...

Mas o melhor ainda foi descobrir a conversão do clássico musical numa orelha do livro:

BESAME MACHO, de autoria do jornalista que acompanhou Sarita nas suas memórias, Pedro Manuel Villora.

Ganhei o dia – e o motivo pro post.

Trocadalhos à parte, não quero mais apenas besame mucho, quero mucho besame macho.

 

publicado por joanabosak às 22:27
sinto-me: violenta
música: Guess
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