Blog que queria ser outra coisa, mas que se contenta em deixar trans-pirar a sua dona... Moda, literatura, cinema e efêmeras frivolidades em geral.

23
Jan 09

Todos dormem na casa. Não estou sozinha. A casa está tomada. Mas não são Outros. São uma pequena Babel que já um pouco eu mesma. Olho em volta e amores antigos e recentes me acompanham. São meus livros, reescritos cada vez um pouquinho sempre que os leio. E, já que não tenho uma biblioteca digna de bibliófilos como Manguel (40 mil volumes) e Eco (30 mil numa casa e 20 noutra), não há problema em olhar pra todos eles quase ao mesmo tempo, embora seus conteúdos evoquem o perfeito de que fala Galeano sobre as coisas belas: Me ajuda a olhar!

(E ocorreu um ato falho incrível: escrevi Galiano, e realmente para ver John Galiano é preciso ter muitos olhos)

Digeridos, assimilidados, triturados. Minha antropofagia é contínua. E se essa alimentação nem sempre é possível, às vezes me contento em olhar pra eles, suas capas que indicam uma personalidade interior - eu diria, então, que a capa é a roupa do livro, desnudado impudicamente a cada leitura.

E eu gosto de acreditar no que fala o muso, ou melhor, o museu Umberto Eco, que alguns livros, de tanto a gente olhar, acabam sendo lidos mesmo que não lidos. O valor da biblioteca não lida também existe, porque essa não leitura combina com uma leitura interior que fazemos daquilo que por ventura aquele livro poderia dizer e que na verdade não sabemos se de fato procede, mas que muitas vezes nos antecede a nossa leitura. E esta é minha babel particular, confortável por ser confusa.

Mas esta talvez seja uma viagem border collie demais.

Volto pros nomes próprios mais próximos de mim: Orlando, Eugenia, Loana, Sandra, Seda, Netto, Isabel, Barcelona, Gumercindo, Rosa.

Definitivamente estou bem acompanhada. Eu e Jô.

Mesmo que apenas pelo nome.

Afinal, o que resta é sempre o nome. A palavra.

A rosa que é uma rosa é uma rosa é uma rosa de Madame Stein, aqui está porque seu nome está.

O Nome da Rosa. Embora com Angenor e Marisa a rosa sempre possa permanecer ainda mais com seu profundo olor, preferida pelo beija flor...

publicado por joanabosak às 02:33
sinto-me: ligada, ainda
música: computador ligado
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